
“Aquele cientista tinha de ser preso”
Apesar dos dois cientistas deixarem bem claro que adoraram o filme, Will Rodman, o cientista interpretado por James Franco, foi alvo de boa parte das críticas dos dois. Todas as ações do personagem foram questionadas, desde levar um animal usado em uma experiência científica para casa, tratar o próprio pai com o remédio que pesquisa e até guardar um vírus na geladeira de casa. “Ele é completamente antiético, faz tudo que um cientista não pode fazer. Coloca em risco não só a si mesmo, quanto ao pai, a família, a vizinhança e até a humanidade”, diz Morales.
Apesar dos dois cientistas deixarem bem claro que adoraram o filme, Will Rodman, o cientista interpretado por James Franco, foi alvo de boa parte das críticas dos dois. Todas as ações do personagem foram questionadas, desde levar um animal usado em uma experiência científica para casa, tratar o próprio pai com o remédio que pesquisa e até guardar um vírus na geladeira de casa. “Ele é completamente antiético, faz tudo que um cientista não pode fazer. Coloca em risco não só a si mesmo, quanto ao pai, a família, a vizinhança e até a humanidade”, diz Morales.
Cientistas caçam animais na natureza para usar em pesquisas? “Legalmente, essa prática não existe mais. Você pode até, com autorização, capturar animais selvagens para pesquisas de reprodução e conservação da espécie. Mas isso já aconteceu, sim,” diz Patrícia. “Mesmo porque o próprio estresse da retirada do animal de seu ambiente vai causar tantos transtornos fisiológicos que não vale a pena”, complementa Morales.
Atualmente, camundongos, cobaias, primatas e outros animais são criados em cativeiro, em biotérios específicos, e não podem ser “reaproveitados”, como acontece com o chimpanzé Koba no filme. “Isso é algo que está na Lei Arouca e em todas as leis que protegem animais de pesquisa: uma vez utilizado o animal para o propósito inicial, ele não pode ser mais usado. O estresse que foi causado no animal pode gerar no próximo experimento um resultado alterado”, diz Morales.
À primeira vista, “Planeta dos Macacos – A Origem” pode ser interpretado como um alerta aos perigos da pesquisa científica. Mas os cientistas consultados pelo iG viram na história uma outra questão: “A ciência é colocada de forma tão caricata que não é o ponto mais importante”, opina Patrícia Izar. “O ponto é o que a espécie humana faz ou pode fazer com outras espécies, principalmente as próximas ao ser humano. Nós devemos capturá-las, colocá-las em exibição num zoológico, mantê-las em casa como uma caricatura do ser humano? Isso tudo serve para refletirmos”.
“Macaco não é animal de estimação. Quem já teve a oportunidade de ver ao vivo um filhote de chimpanzé, ou qualquer macaco, sabe que é difícil não se comover, então dá para entender a vontade do cientista de levar para casa, de cuidar”, pondera Patrícia. “Mas não importa esse apelo sentimental, é uma atitude equivocada. Você salva o bicho, mas o transforma num pet”.
Patrícia diz que os homens deveriam ter um olhar mais respeitoso em relação a outros animais e seus modos de vida. Menciona, inclusive, que existe um movimento que quer dar status de pessoa a grandes símios, como gorilas, chimpanzés, bonobos e orangotangos, entre outros.
Morales concorda: “Não são só os cientistas, e sim o que nós todos fazemos com os animais. Quantos animais nós extinguimos, quantos colocamos em nossas casas, que já não têm mais seu ambiente natural. Mas o que me tocou em várias cenas é a questão do limite, até onde podemos ir com a ciência ou a medicina. Todos nós precisamos reconhecer que temos um limite. Ele deve ser respeitado, inclusive pelos cientistas”.
No fim, como os dois avaliaram o filme? Marcelo coloca da seguinte maneira, e Patrícia concorda: “É um filme fantástico, como ficção científica”.



Muito bom vc falar deste filme! Com certeza vou assistir!